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Celular, se dirigir não use.

José Roberto de Souza Dias

Estudos publicados pelo British Medical Journal mostram que dirigir e usar o telefone, simultaneamente, quadruplica a possibilidade de acidentes de trânsito. Mais grave ainda, a utilização da tecnologia de viva voz não diminuiu de forma significativa esse tipo de risco.

Pesquisas do Departament of Medicine and of Health Administration, da Toronto University, no Canadá, concluíram que é muito mais arriscado falar ao telefone do que escutar o rádio e conversar com outros passageiros por exemplo. Dessa forma, demonstraram que são equivocados os argumentos de que usar o telefone enquanto dirige seja tão perigoso quanto outras atitudes corriqueiras. Ao contrário, do que até então se propalava, a possibilidade de acidentes devido ao uso de celulares é algo real e sério.

Pesquisadores canadenses concluíram que o risco de acidente é 4.9 vezes maior entre os motoristas que usam o celular normal, mas também é alto, 3.8 vezes, entre os que utilizam o sistema de viva voz. Advertem que esta tecnologia, que deixa as mãos livres, pode dar uma falsa idéia de segurança. Asseguram que se aumentar o uso de celulares, poderá contribuir para um maior número de acidentes.

Estudos realizados nos Estados Unidos, patrocinado pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) e conduzido pelo Virginia Tech Transportation Institute, evidenciam que a distração é uma das principais causas de acidentes de trânsito. Entre os comportamentos que induzem a distração, destaca-se o uso do telefone celular, como o mais freqüente.

Segundo o relatório da Virginia Tech o número de acidentes e de quase acidentes atribuídos ao envio de mensagens ou torpedos ao volante, é quase idêntico ao número de acidentes associados ao ouvir ou falar no telefone. Porém, o relatório alerta que enviar uma mensagem é muito mais perigoso e só não se reflete nas pesquisas porque é realizado com menor freqüência do que conversar ao telefone.

Segundo esse relatório, quase que 80% dos acidentes e 65% dos quase-acidentes, ocorrem em três segundos e estão, de alguma forma, relacionados à distração do motorista.
Alcançar um objeto com o carro em movimento multiplica o risco de acidente ou quase-acidente por nove vezes, enquanto a leitura, aplicação de maquiagem ou o uso de dispositivo portátil triplica o risco.

No Brasil, e em particular em Santa Catarina, a utilização de celulares pelas pessoas enquanto dirigem tem se tornado uma constante. Apesar de toda a regulamentação existente não há uma conscientização sobre a taxa de perigo que representa esse tipo de procedimento. Por aqui, ao contrário do que ocorre em outras partes do mundo, ainda não existem pesquisas suficientes para demonstrar que o uso do celular no volante é tão grave quanto beber e dirigir.

A sociedade catarinense, sempre a frente de importantes mobilizações sociais, como a defesa do meio ambiente, começa a se conscientizar da gravidade desse tipo de comportamento. Já se percebem movimentos em defesa da cidadania no trânsito, principalmente através de insistentes sugestões para inibir tal procedimento por aqueles que estão dirigindo.

Necessário se faz, entretanto, lembrar das conclusões dos trabalhos científicos internacionais aqui elencados. O telefone celular é parte integrante da vida das pessoas e seu valor é fundamental em diferentes atividades. Mais do que disciplinar, necessário se faz educar as pessoas para a prática da cidadania no trânsito.

Educar e conscientizar as pessoas são formas efetivas para diminuir o número de vítimas em acidentes causados pelo mau uso dos aparelhos celulares. A multa é, também, um complemento educativo à condicionar a mudança de atitude no trânsito.

Governo, sociedade e iniciativa privada têm um papel fundamental na divulgação de um comportamento pró-ativo no trânsito. Principalmente as empresas fabricantes de aparelhos telefônicos e as Teles. Para estas, fica a sugestão de incluírem chamadas em suas propagandas, do tipo ao dirigir não use seu telefone, alertando para o risco que representa.

A Copa do Mundo é uma boa oportunidade para se testar uma campanha pela Vida.

(*) Jose Roberto de Souza Dias
Doutor em Ciências Humanas pela USP e Mestre em História Econômica. Professor Adjunto da UFSC, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran.